Contentar-se

A vertigem da posse avassala a maioria das criaturas na Terra.
A vida simples, condição da felicidade relativa que o planeta pode
oferecer, foi esquecida pela generalidade dos homens.
Esmagadora percentagem das súplicas terrestres não consegue
avançar além do seu acanhado âmbito de origem.
Pedem-se a Deus absurdos estranhos.
Raras pessoas se contentam com o material recebido para a solução das suas necessidades, raríssimas pedem apenas o "pão de cada dia",
como símbolo das aquisições indispensáveis.
O homem incoerente não procura saber se possui o menos para a vida eterna, porque está sempre ansioso pelo mais nas possibilidades transitórias. Geralmente, permanece absorvido pelos interesses perecíveis, insaciado, inquieto, sob o tormento angustioso da desmedida ambição.
Na corrida louca para o imediatismo, esquece a oportunidade que lhe pertence, abandona o material que lhe foi concedido para a evolução própria e atira-se a aventuras de consequências imprevisíveis,
em face do seu futuro infinito.
Se já compreendes tuas responsabilidades com o Cristo,
examina a essência de teus desejos mais íntimos.
Lembra-te de que Paulo de Tarso, o apóstolo chamado por Jesus
para a disseminação da verdade divina, entre os homens, foi obrigado
a aprender a contentar-se com o que possuía,
penetrando o caminho de disciplinas acerbas.
Estarás, acaso, esperando que alguém realize semelhante
aprendizado por ti?

Emmanuel