16 - Não te Perturbes

“E o mandamento que era para a vida, achei eu que me era para a
morte”.- Paulo. (Romanos, 7:10).

Se perguntássemos ao grão de trigo que opinião alimenta acerca do
moinho, naturalmente responderia que dentro dele encontra a casa
de tortura em que se aflige e sofre; no entanto, é de lá que ele se
ausenta aprimorado para a glória do pão na subsistência do mundo.
Se indagássemos da madeira, com respeito ao serrote, informaria
que nele identifica o algoz de todos os momentos, a dilacerar-lhe as
entranhas; todavia, sob o patrocínio do suposto verdugo, faz-se
delicada e útil para servir em atividades sempre mais nobres.
Se consultarmos a pedra, com alusão ao buril, certo esclarecerá que
descobriu nele o detestável, perseguidor de sua tranquilidade, a feri-
Ia, desapiedado, dia e noite; entretanto, é dos golpes dele que se
eleva aos tesouros terrestres, aperfeiçoada e brilhante.
Assim, a alma. Assim, a luta.
Peçamos o parecer do homem, quanto à carne, e pronunciará talvez
impropriedades mil. Ouçamo-lo sobre a dor e registraremos velhos
disparates verbais. Solicitemos-lhe que se externe com referência à
dificuldade, e derramará fel e pranto.
Contudo, é imperioso reconhecer que do corpo disciplinado,
do sofrimento purificador e do obstáculo asfixiante,
o espírito ressurge sempre mais aformoseado, mais robusto
e mais esclarecido para a imortalidade.
Não te perturbes, pois, diante da luta, e observa.
O que te parece derrota, muita vez é vitória.
E o que se te afigura em favor de tua morte, é contribuição
para o teu engrandecimento na vida eterna.

Emmanuel
psicografia de Chico Xavier