Orgulho e Vaidade:
Portas para a Destruição

O centro espírita é a casa da caridade e da ajuda sem preconceitos.
É o intercâmbio entre planos. Portanto, é peça fundamental para
o crescimento espiritual de todos que a ele se chegam.

E era exatamente o que um centro espírita próximo ao centro da cidade de
São Paulo representava. Era ele o símbolo do crescimento e da caridade,
da assistência social e espiritual.

Nele trabalhavam tarefeiros abnegados e caridosos, que por muitos anos
auxiliaram muitas pessoas a crescerem e despertarem para a realidade da vida.

Um dia chegou a esse centro espírita um irmão, conhecedor da Doutrina Espírita,
que observou a casa e conheceu os seus membros.

Fez amizade com todos, pois o seu conhecimento era muito grande
a respeito da doutrina e, com as suas conversas, cativava as pessoas
e demonstrava o seu crescimento espiritual.

Um dia, o presidente deste centro espírita convidou-o para trabalhar
nos dias das reuniões públicas, que eram realizadas semanalmente.

Este novo tarefeiro ao qual nos referimos, tinha o nome de Edmundo Santos.
Edmundo logo engrenou nos trabalhos, e sempre empenhado, se dedicou
ao crescimento dos mesmos. Mas com o passar do tempo seus pensamentos
se alteraram, e eis que surge um problema.
Ele queria sempre se sobressair perante aos demais.

Pois é, meus irmãos, Edmundo se deixou levar pela vaidade e pelo orgulho,
pois agora o seu coração não tinha mais a intenção de ajudar e sim de atrapalhar.

Com o passar do tempo Edmundo foi minando as amizades, que por muito tempo
estavam estabelecidas, destruindo a harmonia dos trabalhos dos quais fazia parte.

Ele não se contentou com sua posição de simples tarefeiro e começou a almejar o
cargo da presidência do centro espírita, imaginando que sendo presidente não seria
contestado e teria um respeito maior.

Edmundo enganou-se tremendamente, pois quando alcançou o cargo da presidência
do centro espírita, acabou por destruí-lo por completo.

Todos os tarefeiros o abandonaram e os assistidos não conseguiram mais obter a ajuda
e o conforto através das palavras edificantes aos quais estavam acostumados.

Infelizmente meus irmãos, o centro espírita que tanto ajudou a todos,
estava de portas fechadas para a espiritualidade.

Edmundo possuía uma saúde de ferro e quase nunca se deixava abater por problema algum. Porém um problema cardíaco o arrebatou definitivamente do corpo de carne.
Estando no plano espiritual, não entendeu sua nova condição, a princípio.
Tinha estampado em seu corpo espiritual as marcas da sua doença corpórea,
onde estas eram alvos dos espíritos menos esclarecidos, quando estes
o queriam atingir, agredindo Edmundo na altura do plexo solar.

Por muito tempo ele permaneceu nessa condição, sofrendo angustiado
pelas ofensas que lhe eram dirigidas:
-Viu o que você fez? Destruiu tudo, levou ruínas por onde andou,
não plantando nenhuma árvore frutífera, mas somente espinhos!

Vociferava um outro espírito enraivecido:
- A única maneira que eu tinha de obter forças para me livrar deste lugar era quando
minha mãe orava para mim e quando me deixavam participar daquela reunião, onde nós podíamos falar com os encarnados através dos médiuns, mas agora não falo mais,
e minha mãe não consegue mais orar como antigamente, pois seus pensamentos estão atrapalhados mais do que nunca. Mas quem é o culpado?
É você, meu caro! Por isso que você tem que sofrer, tem que sofrer muito, assim como eu,
sem sossego, sem trégua, sendo atacado constantemente pelos outros. Sofra seu infeliz!

Muitos dos espíritos que dependiam daquele centro espírita para receberem o bálsamo
que lhes era muito raro, agora estavam estagnados e sem esperanças.

Edmundo, cansado de tanto sofrer, abriu seu coração.
Juntou as mãos na altura do peito, em ato de introspecção, e elevou o olhar
para cima como se procurasse Deus. Sentiu-se envolver por uma força incompreensível
e de repente soltou um brado solicitando ajuda.

-Deus! Meu Pai, o que fiz para ter tantos inimigos?
E por que tantas ofensas dirigidas a mim?

Depois disso, pôs-se a chorar compulsivamente.
Quando de repente, um espírito luzente pôs-se a sua frente e disse:
- Edmundo, todos os atos de Deus são justos, pois as Suas leis são eternas, imutáveis
e aplicam-se a todos sem distinção. Você, hoje, se encontra nesta condição de sofredor
porque foi isso o que procurou quando encarnado.

Era saudável, tinha os movimentos das pernas e braços perfeitos, a sua articulação
ao falar era eloqüente, tinha inteligência de prodígio. Mas para onde direcionastes todas
as tuas qualidades? As direcionastes para a destruição, usando o dom da fala para lançar
uns contra os outros, usou seus ouvidos para juntar as peças do quebra-cabeça que
o fariam presidente do centro espírita, cargo este que foi conquistado através da calúnia
e da injúria que saíram de tua boca.

Todos estes espíritos que estão atrás de ti, pedindo justiça, são espíritos que deveriam
ser socorridos no pronto socorro espiritual nas sessões de desobsessão,
as quais você destruiu, deixando todos sem ajuda.

Você desequilibrou médiuns de alta qualidade, submetendo-os a trabalhos impróprios
e mãos inábeis e sem escrúpulos, onde estes, em vez de ajudarem,
buscaram ser tratados em outros centros espíritas.

A propósito, o centro espírita ao qual contribuístes para o cerramento das portas espirituais, recuperou-se após o seu desencarne, não de imediato, mas na velocidade justa e necessária, obedecendo às leis da fraternidade e do amor. Hoje, voltou a ser o que era,
mas muitos anos foram necessários para que isto acontecesse.

Edmundo demonstrou-se arrependido e orou mais uma vez a Deus rogando
que o perdoasse e que o ajudasse a se restabelecer daquela condição.

Neste instante, este irmão de luz lhe estendeu a mão e disse:
- Edmundo, meu irmão, há vinte anos eu espero a demonstração desse teu
sentimento de arrependimento. Venha é hora de partimos.

Edmundo perguntou: - Mas, para onde vamos?

- Vamos para o centro espírita do qual eras presidente, pois todos aqueles que você
ajudou a separar, encontram-se hoje unidos mais do que nunca.
É, meu caro, serás hoje ajudado por aqueles que ajudastes a destruir.

Edmundo, meu irmão, nunca sabemos o dia de amanhã; portanto, nunca devemos
destruir algo que ajuda as pessoas nos momentos mais difíceis, dando-lhes conforto
e amparo pois um dia poderemos precisar dessa mesma ajuda.

Edmundo foi levado ao centro espírita que bem conhecia, e durante uma sessão de
desobsessão lhe foi dada a oportunidade de comunicação. Edmundo fez-se conhecer
e pediu desculpas aos companheiros, e então, logo em seguida se
deixou ser ajudado pelos amigos da espiritualidade ali presentes.

Partindo, dentro de si brotou a esperança de um dia poder reparar todos
os desentendimentos em uma nova reencarnação.

Lucas