99 - Persiste e Segue

"Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos
desconjuntados." - Paulo. (Hebreus, 12 :12).

O lavrador desatento quase sempre escuta as sugestões do cansaço.
Interrompe o serviço, em razão da tempestade, e a inundação lhe
rouba a obra começada e lhe aniquila a coragem incipiente.
Descansa, em virtude dos calos que a enxada lhe ofereceu,
e os vermes se incumbem de anular-lhe o serviço.
Levanta as mãos, no princípio, mas não sabe tornar a levantá-las,
na continuidade da tarefa, e perde a colheita.
O viajor, por sua vez, quando invigilante, não sabe chegar
convenientemente ao termo da jornada.
Queixa-se da canícula e adormece na penumbra de ilusórios abrigos,
onde inesperados perigos o surpreendem. De outras vezes, salienta a
importância dos pés ensanguentados e deita-se às margens da
senda, transformando-se em mendigo comum.
Usa os joelhos sadios, não se dispondo, todavia, a mobilizá-los
quando desconjuntados e feridos, e perde a alegria de alcançar a
meta na ocasião prevista.
Assim acontece conosco na jornada espiritual.
A luta é o meio.
O aprimoramento é o fim.
A desilusão amarga.
A dificuldade complica.
A ingratidão dói.
A maldade fere.
Todavia, se abandonarmos o campo do coração por não sabermos
levantar as mãos, de novo, no esforço persistente, os vermes do
desânimo proliferarão, precipites, no centro de nossas mais caras
esperanças, e se não quisermos marchar, de joelhos desconjuntados,
é possível sejamos retidos pela sombra de falsos refúgios,
durante séculos consecutivos.

Emmanuel
psicografia de Chico Xavier