11 coisas sobre insônia

1. Nem toda falta de sono é insônia.
Em entrevista ao BuzzFeed Brasil, a neurologista e Coordenadora da Pesquisa do Instituto do Sono, Dalva Poyares, explica que para ser considerado insônia, é preciso ter problemas com sono pelo menos três vezes por semana por três meses seguidos.
“A insônia que é considerada um problema de saúde é a crônica.
Não dormir uma noite ou outra não quer dizer que você tenha o distúrbio”.

2. Insônia é mais do que não conseguir pegar no sono.
Insônia é um distúrbio do sono em que a pessoa conta
com uma dificuldade de iniciar ou manter o sono.
“Muitos pacientes chegam a dormir mas acordam no meio da noite
ou muito mais cedo que o pretendiam e são incapazes de voltar a dormir”,
diz a neurologista.

3. Existem três tipos de insônia: a crônica, a subaguda e a pontual.
Dalva explica que existem três tipos de insônia:
a crônica, que é de longa duração (dura pelo menos três meses),
a subaguda, que é a que ocorre em um período de até um mês e com o tempo vai melhorando e a aguda, que é a pontual — a pessoa não consegue dormir por um ou dois dias esporadicamente.
“As insônias aguda e subaguda acontecem em geral por conta de um fator específico. Uma situação no trabalho, a perda de um ente próximo e por aí vai. Nesses casos ela tende a melhorar sem tratamento, ao contrário da crônica que
deve ser investigada”, explica Dalva.

4. Ela é uma síndrome que afeta 24 horas do seu dia.
“A insônia tem sintomas noturnos, mas ela afeta o dia do paciente inteiro. Dificulta os estudos, o trabalho e o cotidiano como um todo; afinal a pessoa está sempre cansada”, afirma a neurologista.
Segundo ela, esta questão é inclusive um grande diferencial para entender quando a insônia se torna uma síndrome. Se você dorme pouco e não sente efeitos negativos disso durante o seu dia, isso não necessariamente
significa que você tem insônia.

5. A insônia pode estar ligada a outras condições clínicas,
como ansiedade e estresse.
É preciso também levar em conta a insônia como parte de outros problemas de saúde, explica Dalva.
“Cerca de 40% dos pacientes sofrem de insônia isoladamente e em cerca 60% das pessoas ela aparece associada a outras condições, como ansiedade, depressão, dores no corpo e estresse”, afirma a neurologista.

6. Televisão no quarto e livro na cabeceira não são vilões.
Pelo contrário, eles podem inclusive auxiliar quem sofre de insônia.
“A instrução de que não se pode ver televisão no quarto é da década de 80.
Em muitos casos ver um pouco de televisão ou ler um livro pode ajudar o paciente”, afirma Dalva.
Essa ajuda se dá a partir do momento que a pessoa tira o foco da própria falta de sono. “Se você tem insônia e fica pensando muito durante a noite, vai ficar mais estressado e não vai conseguir dormir” aponta a especialista.
Porém é preciso cautela: “Se você começa a ler e vara a noite, ou emenda um programa no outro, não adianta nada. A ideia é buscar atividades relaxantes que possam distrair e dar sonolência”, explica a neurologista, indicando livros tranquilos e filmes calmos sem muitos efeitos especiais ou luminosidade.
Não tem nada de errado em dormir com a televisão ligada.

7. Já o celular deve ficar distante da cama durante o sono.
Dalva afirma que “o celular deve ficar distante da cama para todos e não só para quem sofre de insônia”. Essa indicação se dá por conta dos diversos estímulos que o celular propicia. “Todo tipo de luz, notificações sonoras, de vibração e outras funções do celular podem fragmentar o sono do indivíduo”.
A recomendação é deixar o aparelho desligado ou manter o mais longe
da cama que você puder.

8. Não leve problemas para um insone no fim do dia.
Segundo a neurologista, não existe muito o que fazer para auxiliar alguém que tem insônia e a maior das recomendações é evitar levar problemas para a pessoa no período da noite.
“Quem tem insônia geralmente tem um sono muito leve então não tem o que fazer para não atrapalhar durante o sono em si; porém, evitar tratar de assuntos estressantes como contas, problemas no relacionamento ou no trabalho horas antes de ir se deitar, ajuda a não piorar o descanso da pessoa”.

9. Quem tem insônia deve tentar relaxar horas antes de ir se deitar.
Quem sofre de insônia, além do acompanhamento médico, deve prezar por buscar formas de relaxar antes de dormir. “Dê as tarefas do dia por realizadas e vá para uma atividade relaxante. O que atrapalha o insone é tentar dormir sem sono ou com a cabeça cheia”, afirma Dalva.
Dentre as atividades possíveis estão: ouvir músicas relaxantes (ou até tocar algum instrumento), ler um livro, ver um filme (com poucos estímulos) e exercícios como pilates e yoga.
“É preciso ficar atento também para não se sobrecarregar de atividades.
Muitas vezes quanto mais cansado está, mais é difícil para o insone dormir. Isso porque o indivíduo fica em uma condição hiperalerta, não conseguindo dormir”, esclarece a neurologista.

10. Além dos exercícios, cuidados com a alimentação podem auxiliar no tratamento da insônia.
Além das práticas de atividades físicas e mentais, o cuidado com a alimentação é essencial. “Além de evitar os clássicos: café, chá preto, refrigerantes e outros alimentos estimulantes, o ideal é que não se coma em excesso”, afirma Dalva, lembrando que tampouco deve-se dormir em jejum. “O ideal é comer duas horas antes de dormir para dar o tempo da digestão acontecer”, finaliza.

11. Ajuda médica é essencial no tratamento da insônia.
“No caso da insônia crônica é preciso sempre buscar ajuda médica.
No geral, o tratamento consiste de uma combinação de medicamentos com terapia cognitiva e comportamental”, aponta Dalva.
Além do Instituto do Sono, que é uma das maiores referências no atendimento de casos relacionados ao sono, é possível buscar o auxílio de um neurologista ou psiquiatra.