A cura de Maude Blanford

"Pai, se queres, passa de Mim este cálice, todavia não Se faça a Minha vontade, mas a Tua"
(Lucas 22:42).

A cura através da fé continua sendo um mistério para mim.
Já participei de campanhas de oração em que a cura foi gloriosamente concedida, outras em que, pelo menos neste mundo, não foi.
Por quê? A resposta não veio imediatamente.
A história de Maude Blanford é um caso em que Deus concedeu esse milagre.
No verão passado, uma amiga recente me contou sobre a cura milagrosa
de uma pessoa com câncer terminal.
Fiquei tão intrigada que tomei o avião para Louisville para ouvir os detalhes
da boca da própria Maude.
A senhora sentada do outro lado da mesa era uma senhora idosa do tipo avó,
que faz você se sentir à vontade.
"Como foi que a sua... huum, como foi que a sua doença começou?"
perguntei, me sentindo meio boba por fazer uma pergunta daquelas
a alguém que obviamente gozava de perfeita saúde.
"A minha perna começou a doer. Achei que era por ficar tanto em pé.
Por fim eu e o meu marido decidimos que era melhor ir ao médico".
Quando o médico da família mencionou "especialista" e "biópsia",
ela entendeu imediatamente que se tratava de algo maligno.
Indicaram-lhe o Dr. O. J. Hayes, que lhe receitou um tratamento de radiação.
Ela começou o tratamento no dia 07.07 e fez uma cirurgia no dia 29 de setembro.
Após a operação, quando Maude implorou ao Dr. Hayes que lhe dissesse a verdade, ele admitiu: "É câncer e está bem avançado. Não podemos removê lo todo porque está muito espalhado. Um dos rins quase não funciona e a bacia
foi afetada - é por isso que a senhora sente dor na perna".
Deram-lhe medicamentos para diminuir a dor que agora era excruciante e a mandaram para casa para morrer.
Nos seis meses que se seguiram, durante os quais tomou analgésicos no valor de milhares de dólares, Maude fez um balanço da sua vida espiritual e viu que
realmente deixava muito a desejar.
Ela não conhecia nada da Bíblia, e tinha um conceito extremamente vago de Jesus.
Em janeiro de 1960, sofreu uma hemorragia cerebral e foi levada às pressas para o hospital. Ficou inconsciente durante 12 dias. Mas Maude Blanford, totalmente alheia ao mundo ao seu redor, estava bem consciente num mundo totalmente diferente. Enquanto esteve em coma, ela viu uma imagem muito vívida: uma casa sem telhado. Havia divisões entre os cômodos. Estava toda mobiliada mas não tinha telhado. Ela lembra se de ter pensado: Precisamos pôr um telhado nesta casa!
Quando saiu da coma, a senhora Maude estava perfeitamente lúcida, mas perplexa.
O que significaria a casa sem teto?
Enquanto pensava naquilo, pareceu ouvir um ser espiritual responder-lhe.
Hoje ela diz que tem absoluta certeza que era o Espírito Santo.
"Esse ser mostrou-me que a casa representava o meu corpo, mas que,
sem Jesus para me cobrir, o meu corpo não tinha proteção".
A partir daí até Julho de 1960, ela continuou piorando. Seu coração funcionava mal, era bem difícil respirar e só conseguia falar num débil sussurro.
Mesmo com analgésicos o sofrimento ficou insuportável.
Em Junho, ela já não sentia mais forças para se deslocar para fazer o tratamento
com radiação e no dia 1º de Julho, ela disse à enfermeira que não voltaria.
Mas nesse dia, quando saiu do prédio onde fazia o tratamento e o genro
a ajudou a entrar no carro, ela começou a chorar.
"Nesse momento, do jeito que eu estava, só queria que Deus me levasse rápido.
Eu disse: "Deus, eu não conheço Você. Não sei nada sobre Você e nem sei orar. Mas, Senhor, faça o que quiser comigo".
Sem saber, Maude Blanford havia acabado de fazer uma das orações
mais poderosas de todas: a oração da submissão.
Ao tirar do caminho as suas idéias e a sua própria vontade, ela abriu a porta para o Espírito Santo e teve que esperar muito por uma evidência da presença de Deus.
O dia 4 de Julho, segunda-feira, amanheceu lindo e quente.
Nessa tarde, Joe armou uma cama de campanha para a ela debaixo das árvores.
Enquanto a enferma descansava, vieram ao seu pensamento frases lindas.
Porventura não é este o jejum que escolhi? Que soltes as ligaduras da impiedade,
que desfaças as ataduras do jugo. E que deixes livres os quebrantados, e despedaces todo o jugo... Então romperá a tua luz apressadamente... Aqui estou...
Olhei para Maude Blanford por cima da minha xícara de café e disse-lhe:
"Mas eu pensava que você não conhecia a Bíblia".
"E não conhecia mesmo! Nunca li uma única palavra. Mas sabia que aquilo não parecia uma linguagem normal. Pensei: Será que isto é da Bíblia? E imediatamente recebi as palavras: Isaías 58. O meu marido foi pegar uma Bíblia para mim. Tive que procurar muito para encontrar o livro de Isaías. E quando finalmente encontrei aqueles versículos exatamente como os tinha ouvido - com exceção das últimas palavras Aqui estou - eu sabia que Deus em pessoa tinha falado comigo!"
Nas semanas que se seguiram Maude leu a Bíblia sem parar, muitas vezes até
às duas ou três da manhã, vendo Jesus se materializar diante dos seus olhos.
E, à medida que lia, essas palavras provocavam uma reação nela, reação essa
que é outra das obras do Espírito Santo no coração humano: o louvor.
Em casa, começou pouco a pouco a subir as escadas, louvando Jesus por
cada degrau que conseguia subir.
Depois, experimentou colocar um pouco de água num balde e limpar o chão
da cozinha. Sentada numa cadeira limpava o chão junto dos seus pés, depois empurrava a cadeira mais uns centímetros e limpava mais.
"Obrigado Jesus por me ajudar a fazer isto!"
Sua nora, que quase todos os dias ia limpar a casa de Maude, perguntou um dia, intrigada: "Mamãe, como é que o chão da sua cozinha nunca fica sujo?"
A senhora sorriu: "Bem, devo confessar que o Senhor e eu estamos
fazendo algumas tarefas domésticas".
Mas ela sabia que seu trabalho principal não era naquela casa de tijolo e madeira, mas sim na casa do seu espírito, a casa que estivera tanto tempo sem telhado.
Pouco a pouco, à medida que conhecia mais o Senhor, começou a sentir
Seu Amor protetor a rodeando e protegendo.
Não que toda a dor e dificuldades tivessem terminado. Ela ainda estava
tomando os analgésicos e ainda sentia muito enjôo devido à radiação.
Um sábado à noite, quando a dor não a deixava dormir, ela ficou deitada louvando
a Deus e lendo a Bíblia. Por volta das duas da manhã adormeceu com a Bíblia em cima do peito. Sentiu como se estivesse sendo levada para o Céu, viajando uma longa distância pelo espaço. Então, ouviu uma voz vinda do universo:
Minha filha, seu trabalho ainda não terminou. Você precisa voltar.
Isto foi proferido três vezes, lenta e majestosamente.
Maude ficou acordada o resto da noite, radiante de alegria e dando graças a Deus.
Quando seu marido acordou de manhã, ela lhe disse:
- Querido, Jesus me curou a noite passada.
Dava para ver que ele não acreditava; seu semblante não mudou.
Mas eu sabia que estava curada e que tinha que contar às pessoas.
Nessa mesma manhã, ela foi a pé até à igreja batista do outro lado da rodovia
e perguntou ao ministro se podia contar um testemunho.
Ele deu permissão, e ela contou às pessoas que enchiam a igreja que Deus
tinha falado com ela durante a noite e a tinha curado.
Umas semanas depois insistiu em fazer uma longa viagem de ônibus
para visitar seu filho em West Virginia.
Ainda tomava medicamentos, ainda sentia bastante dor, mas sabia que o Espírito Santo estava lhe dizendo para agora se apoiar em Jesus e não nos medicamentos.
Às cinco horas da tarde do dia 27 de abril de 1971, na viagem de regresso, numa parada do ônibus, tomou um analgésico sabendo que seria o último.
E foi mesmo. Agora, olhando para trás, os médicos consideram o fato dela ter parado de tomar os analgésicos tão subitamente, um milagre tão grande como a transformação de células cancerígenas em tecido são.
Levou tempo para reconstruir a casa do seu corpo: 9 meses para a perna doente voltar quase ao normal, 2 anos para todos os sintomas de câncer desaparecerem.
Quando telefonou para o Dr. Hayes, em 1962, acerca de algo mínimo,
ele quase gritou de admiração.
"Dona Maude! O que aconteceu com a senhora? Eu pensava que a senhora..."
"O Senhor achava que eu já tinha morrido há muito tempo", disse ela rindo.
"Por favor venha logo ao meu consultório para eu examiná-la!
Tenho que saber o que aconteceu".
"Mas por que haveria eu de gastar um monte de dinheiro num exame quando
estou perfeitamente saudável?" perguntou ela.
"Dona Maude, eu lhe prometo que este é por minha conta!"
A melhor maneira de descrever o que o médico descobriu é lendo as suas próprias palavras: "Eu tinha perdido o contato com a sra. Maude Blanford e imaginava que essa paciente tivesse morrido. Em maio de 1962 ela veio ao meu consultório. Tinham se passado dois anos desde que fora operada, e seu último raio X fora
em Julho de 1960... A perna tinha desinchado e estava completamente normal;
a sra. Maude não apresentava o mínimo sintoma, e no exame não consegui determinar se tinha ou não algum vestígio de câncer...
"Ela voltou a ser consultada no dia 5 de novembro de 1962, e nessa ocasião o resultado do exame foi completamente negativo... Desde então tem sido consultada periodicamente para exames de rotina... Está totalmente assintomática...
Este caso é extremamente invulgar, uma vez que ela tinha câncer no colo do útero comprovado e muito avançado, e não havia esperança de que sobrevivesse".
Não havia esperança...
Não havia esperança, a não ser aquela na qual a nossa fé está alicerçada.

Catherine Marshall