A última paixão

A última paixão me escorreu pelos dedos
e eu tive tanto medo
quando percebi que ela se foi,
porque morri um pouco,
morreram aqueles meus dias lindos e loucos,
acabaram-se as alegrias e os sufocos.
Estranho como a paixão preenche espaços
que depois de vazios
causam um estranho cansaço
e um tremendo frio.
É o frio da alma que quer novamente incendiar
e percebe que só consegue congelar.
Minha última paixão morreu sem consentimento,
foi acalmando dentro do meu pensamento,
indo pra longe do meu coração
e me deixou agora nessa situação.
Só e amargurada,
à mercê de um silêncio
que não vale nada.

Silvana Duboc