Ainda é tempo de faxina

Mesmo nas correrias de fim de ano,
pensamentos vagos nos tomam.
Vontade de rever pessoas queridas
que não tivemos tempo de encontrar.
E sobra a sensação de dívidas em aberto
- dívidas pessoais - do ano que está a acabar.
É também o momento do balanço.
É hora de se fechar um ciclo para o início de um novo.
O que realizei de minhas promessas?
De meus sonhos?
Qual o saldo de minha balança interior?
O que é preciso rever?
Mudar?
Abandonar?
Recomeçar?
É preciso parar, respirar fundo e listar as prioridades.
É impossível cumprir todos os compromissos que assumi comigo.
Preciso harmonizar-me. Integrar-me ao Universo...
é inevitável o saldo no balanço do ano!
Mas é possível não se culpar pelas coisas não resolvidas.
É preciso renovar as esperanças para vislumbrar
as possibilidades ocultas.
Estou fazendo uma faxina interior.
Até amanhã quero me libertar das tantas coisas
que existem dentro de mim que não uso.
Vou esvaziar as gavetas da vida e enchê-las de fé.
Jogar fora as mágoas, deletar lembranças desagradáveis,
destruir as raivas e os rancores.
Vou vestir uma roupa bem leve.
Tomar banho de cheiro com sálvia e cabelo de milho
para ficar em sintonia com a ventania que deverá ocorrer.
Entrarei pura no ano novo deixando fora os ranços dos últimos anos.
Deixarei brotar os galhos verdes queimando os secos.
Fixarei meus olhos e meu coração na Face flexível do Pai,
pois ainda é tempo de faxina.
Todos os dias o sol nasce, todas as noites, a lua,
- mãe das marés - brilha nos céus!

Delasnieve Daspet