Amarga solidão

Vivo a carregá-la de um lado para outro
e, às vezes, mergulho nela até o pescoço.
Seu peso é imensurável,
sua presença indesejável.
Não sabem como é viver assim
e nem, sequer, percebem
que ela caminha junto de mim.
Tento afogá-la na poesia,
nos livros, na fantasia,
nas minhas horas vazias,
mas quem diria,
ela sobrevive a tudo, todos os dias.
Acabamos nos tornando inseparáveis,
construímos até uma falsa amizade.
Quando, por breves momentos,
ela de mim se distancia
chega a gerar em meu peito
uma certa nostalgia
e a incerteza me assola
porque preciso urgentemente saber
se voltaremos a conviver.
Nos meus momentos de imensa agonia,
sem dúvida, é a sua companhia
que me sustenta e me alivia.
Ó amarga solidão,
por incrível que possa parecer,
tem horas que só você
preenche o meu coração.


Silvana Duboc