Amarrada como um nó

Trago no meu peito tantas dores guardadas
que fazem que eu me sinta condenada
a uma tristeza eterna e profunda,
a uma imensa angústia oriunda
de pessoas que me magoaram
e se foram pois com isso não se importaram.
Eu tenho estado ultimamente
fechada pra balanço simplesmente,
não me entrego, não me dou,
não me abro e já não vou
em busca de sonho e aventura.
Sonho pra mim agora é tortura,
é caminho sem volta,
é casa sem porta.
De que adianta numa estrada se perder
ou dentro de uma casa se prender,
sonhar até não mais poder
e depois ver tudo destruído.
É por isso que eu digo
que não quero mais sonhar
e em mais nada acreditar.
Não quero mais fazer planos
e perceber que estou afastada deles
por um imenso oceano
por onde não poderei navegar.
Quero o chão, a realidade,
e todas as impossibilidades
que a vida tiver que me oferecer
no primeiro minuto que algum sonho
a minha volta ousar florescer.
Quero cortar cada mal pela raiz
como antes nunca fiz.
Quero me reservar o direito de ser só,
amarrada como um nó,
imperceptível como o pó.
Se assim poderei ser feliz?
Afinal que diferença vai fazer
se quando fui o contrário
não conseguiram perceber.

Silvana Duboc