Às vezes

Às vezes te permito pensar
que deixei de te amar
que nas encostas da vida
de ti descansei
e nos jardins que florias
fui lá e te arranquei

Às vezes mendigo teu amor
ingênua que sou
de forma tão dolorida
que causo-me feridas

Às vezes te possuo
e me deixo possuir
acreditando que em seguida
tu não vais partir

Às vezes eu entendo
que nada é verdade
e que a cruel realidade
há muito já me indicou
que esse amor se acabou

Às vezes acordo
em meio a madrugada
e sou pega de surpresa
por essa certeza

Às vezes em meus ouvidos
ela grita alucinada
aí volto a dormir
tentando ignorá-la

Às vezes penso que nunca te amei
às vezes imagino que nem te gostei
às vezes acho que a ti me acostumei

Às vezes eu te criava
bem dentro de mim
e tu concordavas
que fosse assim

Às vezes eu percebo
que meu sonho foi tão constante
minha loucura tão estonteante
que às vezes até me enganei
e nunca acreditei
no quanto eu te amei.

Silvana Duboc