Astanga Yoga

Escutei falar do Prof. Hermógenes pela primeira vez através do meu ex-sogro, que era médico especializado em tuberculose. Ele me contou que muitos anos atrás tinha sido procurado por ele; estava doente, e precisava se curado.
Não me lembro dos detalhes, mas penso que meu sogro lhe disse que as possibilidades de cura eram difíceis, e Hermogenes não se conformou com a decisão: resolveu buscar uma alternativa, encontrou o yoga, ficou bom, e desde então tem se dedicado ao tema – a ponto de transformar-se, na minha opinião, no mais respeitado especialista brasileiro no assunto.
Está com 79 anos bem vividos, cheio de energia, e em seu novo livro “Convite à não-violência”, aborda temas muito interessantes,
entre os quais a desconhecida Astanga Yoga.
Esta modalidade de yoga – conta Hermógenes – foi codificada pelo sábio Patanjali num manual chamado Yoga Sutra, dividido em quatro capítulos que se baseiam nos conhecimentos que yogues transmitiam oralmente de geração a geração. Ela não comete o equívoco que muitas outras correntes propõem – o de atingir a meta suprema sem respeitar, acima de tudo, a ética de comportamento. “Primeiro a ética, depois a técnica”, dizem os verdadeiros mestres. A seguir, algumas de seus mandamentos fundamentais:
Ahimsa: É a meta – todos os esforços devem ser feitos, mantendo-se sempre a meta da purificação pessoal. Pode ser sintetizado como “jamais ferir”.
Yama: É o segundo preceito, o de “jamais mentir”. Quando o yogue tem a alegria de comunicar o que sabe, e ao mesmo tempo possui a humildade de não tentar ensinar o que não sabe, ele está cumprindo este preceito. Muitas vezes, entretanto, ele se vê diante de certas verdades que podem provocar ferimentos e sofrimento no próximo. Neste caso, o mandamento de “jamais ferir” tem prioridade, e ele deve prevalecer sobre o “jamais mentir”,ou seja: se um assassino lhe perguntar onde está sua vítima, e você lhe der uma direção falsa,está sacrificando a verdade, mas valorizando o amor ao próximo.
Asteya: O terceiro preceito significa “não se aproprie do que não é seu.” Não se trata apenas de roubos materiais, mas de coisas sutis como amor, falta de caridade, lucros excessivos que provocam
um mal-estar social.
Brahmacharya: A compreensão do sexo. O sexo não é o problema, mas o pecado consiste na aberração e a degradação de uma atividade tão natural e tão nobre, que foi colocada na Terra como a única maneira de perpetuar a criação Divina. Patanjali diria: tendo o amor por objetivo, não empobreça o sexo, não fira a dignidade do seu companheiro, mas se relacione com ele através do amor que leva a Deus.
Aparigraha: O quinto preceito é “não inveje”.
A inveja produz o desamor, a violência, a crueldade.
O invejoso é aquele que, ao invés de tentar melhorar na vida,
quer que todos os outros piorem.
Com isso, termina voltando toda esta energia negativa para si mesmo.

Hermógenes diz que as pessoas mentalmente sadias não agridem, e o primeiro mandamento da Astanta Yoga é naturalmente respeitado por todos aqueles que estão de bem com a vida. O Dr. R. H. Singh afirma:
O crime não é uma condição natural do ser humano,
mas uma reação à frustração.”
Sejamos éticos, e ninguém vai se sentir frustrado ou diminuído.
Só assim a não-violência poderá finalmente vencer.