Brisa, Furacão e Mar

Amor...
Ainda sou eu tua brisa...
venho às madrugadas
teu corpo refrescar!

Sou eu ainda teu furacão,
invado teu quarto
e te amo de paixão!

Ainda sou eu teu mar bravio...
amanso-me ao ver-te
nas minhas águas
e as mãos estendo
para te saudar!

Sou ainda teu equilíbrio,
teu centro, teu ponto do meio!
Ainda sou tua paz, trago comigo
muitas Graças, Bênçãos
e muita Luz para te acalmar...
Tenta... com amor me aceitar!

Sou cativa liberta,
visito o cais nas horas tardias,
nas noites escuras, chuvosas,
desertas...
Solto minha alma,
abro minhas asas e sem rumo,
vôo a qualquer lugar!

Sou eu a mulher
que plenificou teu peito
de saudade e agora,
a vem matar!
Espera-me, não me demoro
a voltar...
Dos desejos virei te libertar!

Ainda sou eu tua rota...
tuas estrelas...
tuas cortinas plenas de magia,
as quais nunca deixei-te
descerrar, para te ocultar
que eu era apenas
um astro de luz a vagar!

Ainda sou eu tuas vagas
enfurecidas ao findar das tardes
esperando teu corpo,
para num mergulho
profundo te tocar!

Não me entendes
nem um pouco?
Se em teu rosto
deixo sulcos do meu sal...
isto faço... para sentires
meu gosto...
Nunca pensei ser comparada
ao vil metal!

Sou tua brisa, teu furacão, teu mar...
Tua cortina bordada
com fios de prata do luar!
Por que vês tanta dificuldade
em me amar?

Iracema Zanetti