Cabalmente entregue

Refazer-me no teu corpo,
feito o solo se refaz com a água.
Descansar à sombra de tuas curvas,
apagando as imagens turvas,
de minhas mágoas.

Ser em ti,
um sonho lapidado.
Teu amante mais que amado.
Tua estrada final,
sem bloqueios, sem receios,
sem transbordos,
ou entrada vicinal.

Quero rolar sobre teu corpo,
feito um pássaro solto,
que se deleita no azul,
que refletido pelo sol,
faz aurifulgente,
todo o seu jeito transparente,
toda a perfeição desses traços,
por onde minha pele desliza,
por onde valorizo os meus abraços,
por onde passo a passo,
vou encontrando,
o meu verdadeiro sentido,
de amar, sem amarras,
nós ou embaraços.

Quero refletir-me em ti,
pois que minha amada és.
Minha sublime e linda mulher,
que me faz tremular,
alma inteira,
toda vez que de mim se achega,
e me ofereces tua boca,
pra que eu possa,
ávidamente te beijar.

Quero enfim,
ser algo que em ti,
sempre vai se revelar.
Um manifesto grito.
Um amor infinito.
Um gestual, um rito.
Uma marca,
uma tatuagem de ficar.
Um aberto querer,
que se faz múltiplo,
pois que te ouvir já não me basta,
ver-te é um sonho que me arrasta,
sentir-te talvez faça-me sucumbir,
de prazer, de amor, de emoção.

Quero-te cada vez mais intendente.
Não um desejo efêmero, intercadente,
quero-te como infiltrada semente,
como verdade permanente,
que passeia livremente,
pelas vielas de minha alma.
Pelos becos e recônditos,
desse meu,
já cabalmente entregue coração.


Josemir Tadeu