Canto de Novembro

Vagueio pelo poema
este meu poema que se quedou sem forma
sem o latido visceral de tua palavra
e consagro-me a escurecer com tinta
o branco recanto que sempre ocupas,
tão só recordando,
recordando...
tentando manter-te em meu presente
sem poder resgatar-te do passado.
Prendeste-me fogo
queimaste-me vivo
deixaste-me para sempre a tua marca
um cardeal que nunca cicatriza
e que grita na minha avidez teu nome.
Percorro os mil labirintos da tua ausência
começo a acostumar-me
a que só o silêncio me responda:
Será que foste ou que ficaste?
Não logro defini-lo
não sei se foste um duende,
uma paixão ou um mito.
Tampouco sei se este poema
pode conter a inconsistente
doçura de tua essência
essa, que um dia do oitavo arcano
me ocupou por completo
sem deixar-me lugar a prosseguir pensando.


Autor: Alberto Peyrano
Versão: Maria Petronilho