Carente

Carente virou um adjetivo popular
e com isso multiplicam-se as formas de amar.
Tem gente que ama sem medo de errar
e acredita em tudo que ouve falar.
Tem gente que ama sem restrição
e entrega inteiramente o seu coração.
Tem gente que ama cegamente
e de tão cega se torna imprudente.
Tem gente que ama sem ter amadurecido
e acaba se expondo à perigos.
Tem gente que ama compulsivamente
ignorando que existe todo tipo de gente.
Tem gente que ama sem cuidado
e se ilude um bocado.
Tem gente que ama restos de alguém,
ou seja, ama ninguém.
Tem gente que ama o invisível,
o impalpável, o imperceptível.
Tem gente que ama tanto
que esquece de se amar
e nunca se coloca em primeiro lugar.
Tem gente que ama sem se preocupar
se está de fato sendo amada
ou sendo sordidamente enganada.
Tem gente que ama fugindo da realidade
e fingindo que seu romance é de verdade.
Tem gente que ama como em contos de fadas
achando que o Happy End já é coisa confirmada.
Tudo isso acontece porque tem gente
que se ama tão pouco
que se entrega ao primeiro louco
e a carência é que fica sendo a culpada
de existir tanta gente sendo mal amada.
Carência é falta, é necessidade,
mas não significa a privação da própria dignidade.


Silvana Duboc