Catadora de estrelas

Antes eu vivia com os pés no chão
e estavam tão fincados
que eu me esqueci do coração.
Sucumbia a todo tipo de ilusão,
abstraia a emoção
e, assim, me resguardava da decepção.

Antes eu assistia o dia amanhecer
e, depois, anoitecer
ordenando pensamentos,
eliminando sentimentos,
escondendo sofrimentos.

Antes eu me portava como soldado
sempre comandado
e totalmente orientado
para jamais agir errado
caso contrário eu seria
imediatamente responsabilizado
e sumariamente condenado.

Antes eu era praticamente uma escrava
e o pior é que eu ainda achava
que me permitir levar chicotadas
era algo que não importava.

Com o tempo eu mudei,
em catadora de estrelas
eu me transformei.
O céu é o meu limite
e nenhuma barreira
em minha vida existe.

Brilho em companhia da lua,
cato estrelas fixas e cadentes,
sou responsável por sonhos consistentes
meus e de muita gente.
Na porta do céu e nas suas janelas
tenho colocado flores tão belas
para receber quem quiser, comigo, sonhar.

Da ilusão não consigo mais me distanciar
e ando colando minha emoção
junto de cada estrela que consigo resgatar.
Quanto ao meu coração
o céu se tornou pequeno para abrigar.

Hoje eu sou bem mais feliz
e se alguém me diz;
"desce do céu e vem me encontrar"
eu respondo que é tarde pra eu voltar
agora sou catadora de estrelas
e no céu pretendo, pra sempre, morar.

Silvana Duboc