Chuva de verão

Tinha um sol brilhante,
tinha a praia infinitamente bela,
tinha um céu de aquarela.
Tinha a areia tão fina
quanto a que escorrega na ampulheta,
tinha a água do mar tão cristalina
quanto a que acaba com a seca,
ora azul transparente,
ora verde reluzente.
Tinha brisa de verão,
tinha mais de uma estação,
tinha uma chuva fina,
curta, passageira,
amiga minha
e quando ela chegava
molhava meus cabelos,
encharcava meu corpo por inteiro.
Junto com o vento que trazia
arrepiava meus pêlos
e eu menina, mulher,
feliz como uma qualquer,
rodeada de tanta gente,
tão inocente,
imaginava você do meu lado,
seu corpo no meu colado,
seu sorriso me dando um abraço
e seus olhos enfeitiçados,
por mim, guiados.
E, enquanto, a chuva caía,
enquanto, sobre meu rosto ela escorria,
com minhas lágrimas se misturava.
Tinha noite estrelada,
tinha música e eu dançava,
tinha orvalho espalhado na calçada,
tinham lembranças de um passado.
Tinham flores,
pequeninas e escondidas,
grandes e aflitas,
algumas quando eu passava me gritavam,
outras, me evitavam,
sofridas num canto choravam.
Tinham drinks coloridos,
neles, sonhos enrustidos,
tinha mergulho na sedução,
tinha luz na escuridão,
trevas na minha emoção.
Tinha dentro do meu coração
muitos fragmentos do seu
que há muito, do meu, se perdeu.

Silvana Duboc