Cinco minutos

Assim e de princípio parece não ter grande importância. Será, porém que dispomos sempre de cinco minutos dessa pequena fração do dia? Cinco minutos!
Vamos conversar sobre eles. Seriam muito ou pouco?
Dos mil e quatrocentos e quarenta minutos de cada dia,
eles são apenas pouco mais de três milésimos.
Você, esposo, tem cinco minutos para sua esposa?
Estou falando sério, cinco minutos para ela, inteiramente para ela, cinco minutos dos quais você abra mão dos seus problemas,
das suas preocupações e passe a dar maior atenção a ela mesma.
E você, mulher, tem cinco minutos para seu marido?
Cinco minutos inteiros, integrais, completos sem as interrupções
das novelas, das conversas com outras, na preocupação com
outros assuntos, cinco minutos apenas.
Quantos lares estão precisando de cinco minutos de
entendimento total entre marido e mulher.
Vocês, pais, estão dando aos seus filhos os cinco minutos
que eles estão precisando, sem admoestações, sem interpelações
e sem cobranças?
E vocês, mais moços, tem concedido cinco minutos que sejam
para uma parcela mínima de atenção para os mais vividos que
têm experiência para transmitir?
Cinco minutos parecem nada... e como seria bom se todos tivessem cinco minutos diários para as mais belas das viagens e o mais lindo dos caminhos... aquela ou aquele sem sair do lugar; um tomar a direção do outro, a cena do outro, a caminhada de um para o outro?
Cinco minutos...
O tempo de uma canção, talvez de uma música de dança, de uma reminiscência, de uma esperança, de um anelo, de um sonho.
Todos nós precisamos muito de cinco minutos e, por isso, não devemos negar quando alguém precisa dos nossos cinco minutos
de tolerância para certos atrasos remediáveis ou de um tempo
que pudesse ser vivido inteiramente.
Às vezes, contar até dez pode impedir um fracasso ou gestos precipitados e isso dura menos de cinco minutos. Com muito mais razão, este curto lapso de tempo pode ser suficiente para uma decisão ser sabiamente reformada, principalmente alterada ou mantida, serenamente confirmada.
Os cinco minutos que o vestibulando desejaria ter a mais para a certeza de que passou, firmando as esperanças do êxito.
Cinco minutos podem levar a reconciliação ou a ruptura total;
pode trazer tanto a paz quanto a guerra.
Pausa na atividade de um dia, o mergulho no mundo da fantasia.
O tempo de uma crônica, tempo que nos pode fazer heróis ou cometer um erro para o qual não haverá remissão.
Cinco minutos passam como se fossem um sopro do vento...
e podem ter conseqüências para a eternidade.
Os minutos que perdemos não conseguiremos recuperar,
não há tempo de prorrogação no existir.
Volto a perguntar:
Você tem cinco minutos?
Precisa de cinco minutos?
O que faz com cinco minutos?
Já sentiu a falta deles?
Eles estão aí!...
São apenas cinco minutos e podem ser aquilo que você tem sonhado há muito mais do que cinco minutos.

Mauricio Ponsancini