Ciúme

Hoje não me esperes, nem me interpeles por onde andarei ou com quem sairei, pois é uma coisa que não falarei, apenas direi que, infelizmente, cansei de tudo fazer pra te convencer que sempre fui teu, mas você se rendeu a um falso ciúme que destruiu nossa vida,
de uma maneira bandida, fato que nem mais o tempo poderá
reparar nossas discussões no lar...
Eu bem lembro outro dia, que me recebesses fria só porque cheguei mais tarde e sem qualquer alarde, tentei lhe beijar, com um fogo a me queimar, mas você sequer gostou e de mim se afastou, mesmo após eu ter jurado, sincero narrado, que com amigos estive, conversas mantive, bebendo uns drink’s, num próximo bar, mas você intransigente, aos brados e inconseqüente, não quis acreditar e preferi me calar...
Porque fazes isso, esse amar impreciso, se me dou submisso, numa entrega irrestrita, sincera, bonita, de um gozo sem par, e a tua desconfiança, junto com a intemperança, estão a nos afastar, com
esse teu errante vício, vou ficando indeciso, dá vontade de chorar...
Ponha tudo na balança e reviva na lembrança, as nossas noites de entregas, infindáveis e sem regras, onde as horas não passavam e
os suores nos banhavam e nós dois ali deitados, por orgasmos dominados, num tesão que exauria, o lá fora não existia, tendo só
por testemunha, a nossa cama desfeita, com os gozos comprovados, sobre os lençóis manchados, e nos cheiros que ficavam,
como a contagiar, amanhecíamos a amar...
Por isso lhe peço agora, pense bem, não jogue fora, essa ardente paixão que traduz nossa união e comprove que me quer, não sendo uma qualquer, pois não quero outra mulher, mas o ciúme doentio nos joga para o vazio, sem previsão de retorno, relegados ao abandono; então, reflita bastante e me terás sempre amante, que por ti tudo fará,
sem por outras procurar...

José Cardoso