Climatério não é cemitério

Descobri que tinha começado a envelhecer quando parei de contar jaquetas e passei a ficar preocupada com contagem de plaquetas. No ACDC eu juro que me senti AC. Íntima do HDL e do LDL, irmãos Metralha que adoram infernizar o coração quando a gente entra nos “enta”. Tá alto, tá baixo, tá onde?! A nova preocupação não era mais chope com muita pressão, mas ficar com a artéria com pouca pressão. A mesinha de cabeceira deixou de ter porta- retrato, para dar espaço ao Aturgil, Benadril, Caladril, puta que pariu.
Quem passou a avisar-me do tempo foi meu joelho;
inchou, vem chuva na certa.
No dia que comprei meu primeiro guarda- chuva, foi infernal.
O primeiro sutiã é um marco, a primeira sombrinha comprada
é um desmarco! Saí da loja totalmente deprê. Numa caminhada nas férias quando saquei que o logo ali é longe pra cacete, fiquei perplexa. A vontade de dormir depois do almoço quase todos os dias, a busca do Reniw, Retinil, (toma de il novamente, só que agora pra cara, ex-rostinho) é um tapa sem luvas.
E os quadris que se alargam?
Não tem jeito na cara que segura as cadeiras que disparam.
Tinha algumas opções pela frente a partir da descoberta: Aposentar o esqueleto e passar a ser uma bondosa senhora que foi uma mulher ardente; tomar banhos de lama rejuvenescedora diariamente e outros recursos, como o fio russo, virar mais um clone de botox e silicone, porém cadeiruda, ou encarar abertamente que meu corpo já não obedecia totalmente ao pique da minha mente que ainda fervia de fantasias, mas não era matéria doente. Apenas não era mais uma adolescente, que vive inconsequente como eu já vivi, correndo na chuva, e não correndo dela, como agora.
Comecei a repor os hormônios, um make-up básico,
abracei o diabo e virei escritora.
Resolvi escrever uma nova história sem brigar com a idade.
Embaralhei o quebra-cabeça da vida.
Fiz do epílogo o prólogo!
Agora nem eu me aguento!
A Vitoriosa, do Ivan Lins, que se cuide!

Rosa Pena