Como advogado acaba um relacionamento

Prezada Taynara:
Face aos acontecimentos de nosso relacionamento, venho por meio desta, na qualidade de homem que sou, apesar de V.Sa. não me deixar demonstrar, uma vez que não me foi permitido devassar vossa lascívia, retratar-me formalmente, de todos os termos até então empregados à sua pessoa,
o que faço com supedâneo no que segue:

A) DA INICIAL MÁ-FÉ DE VOSSA SENHORIA :
1. CONSIDERANDO QUE nos conhecemos na night e que nem precisei perguntar seu nome direito, para logo chegar te beijando;
2. CONSIDERANDO seu olhar de tarada enquanto
dançava na pista esperando meu approach;
3. CONSIDERANDO QUE com os beijos nervosos que trocamos naquela noite, V. Sa. me induziu a crer que logo estaríamos explorando nossos corpos, em incessante e incansável atividade sexual.
Passei então, a me encontrar com V.Sa.

B) DOS PREJUÍZOS EXPERIMENTADOS:
1. CONSIDERANDO QUE fomos ao cinema e fui eu quem paguei as entradas, sem se falar no jantar após o filme;
2. CONSIDERANDO QUE já levei V. Sa. em boates das mais badaladas e caras, sendo certo que fui eu, de igual sorte, quem bancou os gastos.
3. CONSIDERANDO QUE até à praia já fomos juntos, sem que Vossa Senhoria gastasse um centavo sequer, eis que todos os gastos eram por mim experimentados, e que V.Sa. não quis nem colocar biquini alegando que
estava ventando muito.

C) DAS RAZÕES DE SER DO PRESENTE:
1. CONSIDERANDO AINDA QUE até a presente data,
após o longíquo prazo de duas semanas, V.Sa. não me
deixou tocar, sequer na sua panturrilha;
2. CONSIDERANDO QUE V.Sa. ainda não me deixa encostar a mão
nem na sua cintura com a alegaçãozinha barata de que sente cócegas;
DECIDO sobre nosso relacionamento o seguinte:
1. Vá pra puta que te pariu pois eu não sou mais moleque
e sexo não é um lazer mas sim uma necessidade;
2. Não me venha com balelas de que pensava que eu era diferente;
3. Saiba que vou te processar por me iludir aparentando ser a mulher
dos meus sonhos, e, na verdade, só me fez perder tempo, dinheiro,
e jogar elogios fora, além de me abalar emocionalmente.
Sinceramente, sem mais para o momento, receba o meu cordial abraço, dando aqui por encerrado o nosso relacionamento, nada mais subsistindo entre nós, salvo o dever de indenização pelos prejuízos causados.

Porto Alegre, 16 de Agosto de 2010.

Mauro Otávio
(a vítima)