Corte sangrento

O amor caminha ao lado da saudade
e ambos têm enormes afinidades.
O amor passeia com a felicidade
mas exige dela a sua liberdade.
O amor rima com a dor
e dela conhece bem o sabor,
mas como tem dignidade
não se furta a realidade.
O amor é um feixe de luz
que ilumina e seduz
quando pode ser vivido,
mas passa despercebido
quando vive escondido
dentro de alguém.
O amor não é solução pra ninguém
quando traz junto de si a ambiguidade,
a falta, a ausência,
a terrível instabilidade.
Amor, dor, saudade,
um triângulo em movimento,
um grito de lamento,
um corte sangrento.

Silvana Duboc