Covarde!

Sei
que cheguei tarde demais.
Não ficarei
para ouvir o teu jamais.
Sou a que te chamou de meu bem
e esperou que gritasses:
- Vem!
Aqui tens um travesseiro,
e alguém que te ama.
Tem também
o vazio da metade
de uma cama.
És do telefonema
o engano.
Difícil aceitar
que entrei pelo cano.
Impossível fingir que me lixo.
Solto os bichos.
- Covarde!

Rosa Pena