C R U Z A D A

Andar pelas estradas.
Estradas de terra, de ilusão, de negrume amedrontador,
às vezes de alguma faísca de luz.
Caminhar lentamente passando pela Idade Média
do espírito, da existência.
O homem é terra, sonho, realidade, criatura da Luz.
É conjugação.
É expressão.
É verbo.
É variação.
Transformação.
Transitar de estrela em estrela,
esbarrar de espírito a espírito;
de criatura a criatura
(de terra, de pedra, quem sabe luz?).
Oh! Templário profano, sem Templo.
Teu castelo será formado pelas pedras
que carregares pelo caminho.
Esquece a dor, a ignorância...
Semeia alguma esperança, sem desconfiança.
Se tuas vestes são de guerreiro,
levanta então tua espada contra ti mesmo.
Sê severo com tua alma, e amigo das criaturas.
Aniquila tua improbidade.
Não te escondas atrás da cruz.
Professa teu Mestre.
As Cruzadas envergonharam a História.
Quem são os bárbaros?
Quem são os libertadores da Terra Santa?
Teu estandarte tem que ser queimado.
Tua bandeira será tua alma.
A justiça será feita contra ti.
Há uma masmorra em tua consciência.
Regenera-te primeiro,
antes de querer fazê-lo ao mundo.
Oh! ressonância do Universo, acorda!
Caminha por onde não há caminhos,
onde não há mapas.
Caminha por teu espírito.
Transcende o imponderável; é a boa jornada.
Sê o menor dos menores; é a boa-aventurança.
Sê o menor dos servos; é a libertação.
Não vês, não estás a sós?
Há um dragão à espreita para testar-te com seu fogo,
e o nobre cavaleiro Jorge vindo em teu socorro.
Nenhum dos caminhantes cósmicos,
nenhuma das criaturas de Deus estão desamparados.
A luta é outra. A cervilheira de nada te adianta.
Coragem!
O teu Mestre te espera.
Segue de mãos limpas e a consciência livre.
Cavalgarás com tua mente.
Lutarás contra tuas degenerações.
Semearás a vida.
Faze então teu castelo, agora de luz.
Caminha em direção a Deus.


Nilton Bustamante