Cruzes

Nossos destinos sempre tão incertos, tão difíceis de serem atravessados.
Só há uma forma de enfrentá-los, acreditando que tudo é possível, que aquilo que não está bom pode ser consertado e o que vai bem pode ser melhorado.
As cargas que carregamos, por vezes, são tão pesadas que nos fazem pensar
em desistir de tudo, outras vezes nos impulsionam a nos livrarmos delas.
Mas em que momento das nossas vidas nos tornamos indispensáveis na vida dos outros? Será que são eles que determinam isso ou somos nós mesmos
que nos atiramos rumo a essa árdua tarefa?
As pessoas não têm que ser responsáveis por ninguém,
com exceção de seus filhos menores.
Cada um leva a vida que lhes foi predestinada e em muitos casos a vida que escolheu viver, portanto, que assumam suas fraquezas e incapacidades.
Acontece que ficamos achando que temos que assumir tudo, carregar os problemas dos outros nas costas, aliviá-los da sua carga negativa e da sua infelicidade. Não somos Deus, não temos esse poder, não conseguimos mudar nada na vida de ninguém pois cada um vem com um destino traçado para enfrentar e sua cruz para carregar. Mas certas pessoas se acham responsáveis pelo destino dos outros, acham que podem e devem solucionar todos os problemas que surgem. Não podem!
E numa altura dessas onde vão parar as suas próprias cargas ?
Em que pé fica a sua própria vida?
Onde se escondem seus sonhos, suas realizações, seus desejos mais íntimos? Onde vai parar o seu próprio destino se ele o transformou em um
apêndice do destino de terceiros?
A vida não volta atrás pra nos resgatar, o tempo
que perdemos não pode ser recuperado.
Os sonhos têm prazo de validade para serem realizados, as conquistas
têm tempo determinado para serem alcançadas.
A vida pode ser comparada a uma maratona e passa como um sopro,
quando percebemos já é amanhã, já chegou o futuro e no futuro muitas
coisas já não podem ser realizadas.
Acho que Deus deve ter definido, antes de nos colocar no mundo,
que por alguma razão que não cabe a nós desvendar, cada ser humano viria
com sua própria cruz para carregar. O peso de cada uma delas seria diferente
e o tamanho, também, e sabe-se lá por qual motivo,
mas é óbvio que existe o tal motivo.
Seja solidário, prestativo, amoroso com aqueles que o cercam, mas entenda
que você só pode carregar a sua própria cruz. Seus ombros não foram talhados para suportar o peso da cruz de terceiros.
Aprendi tudo isso meio tarde na minha vida, a duras penas, precisei carregar muitas cruzes que não eram minhas, me ferir, me violentar, deixar a minha própria cruz de lado, enquanto ninguém a carregou por mim, e só aí entendi
que cada um tem a sua vida e os seus problemas.
Nem mesmo pais, filhos, irmãos, grandes amigos, casais podem fazer
parceria na hora de suas derrotas e tristezas.
Cada um de nós tem a responsabilidade de assumir o peso da cruz que nos
foi designada e os que nos amam podem, apenas, ser solidários nos
momentos difíceis de nossas vidas.
Viva a sua vida, não tente viver a dos outros pois elas não lhe pertencem.
O único que tinha ombros extremamente fortes e largos a ponto de suportar
o peso de toda e qualquer cruz, foi Jesus.

Silvana Duboc