Culpados

Eram dois garotos levados. Dois irmãos “do barulho”.
Tudo que acontecia em termos de confusão,
na pequena cidade, envolvia os pirralhos.
A mãe, mulher honesta, de bons costumes, se preocupava
com o que viriam a ser seus rebentos. Por isso, procurou o pastor
da igreja que frequentava, pedindo ajuda.
O que fazer se os filhos não lhe ouviam os conselhos?
Que tática poderia ela utilizar para fazer com que os filhos deixassem de ser tão travessos?
O pastor era um homem alto, encorpado, de voz forte.
Disse àquela mãe que mandasse os garotos falarem com ele.
Primeiro, o mais novo.
E lá foi o menino. O pastor o levou a uma sala, sentou-o em uma cadeira e, dedo em riste, foi logo falando alto:
- Menino, me diga, onde está Deus?
O garoto se encolheu, esbugalhou os olhos, escancarou a boca e ficou olhando o homenzarrão à sua frente, que continuava a perguntar:
- Diga: onde está Deus?
As mãos do pequeno ficaram trêmulas.
Mas continuou mudo, suando frio e o pavor tomando-o por inteiro.
E, porque a pergunta se tornasse cada vez mais insistente,
ele se levantou e fugiu em desabalada correria.
Foi para casa e se escondeu no armário do quarto, onde o irmão mais velho o encontrou, pálido e agitado.
- O que aconteceu, mano?
E o garoto, ainda sem fôlego, gaguejou:
- Mano! Desta vez estamos perdidos. Deus sumiu!
E o pastor está dizendo que fomos nós!!!