Desilusões...

Nós andávamos na mesma rua,
e hoje nos desviamos dela,
dançávamos a mesma música,
hoje nem a ouvimos...
Os sonhos eram sempre a dois:
planos, fantasias, desejos,
hoje apenas desilusões,
castelos que desmoronaram com a nossa separação.

Aqui está o que restou de uma vida,
de um amor e todos os seus sentimentos,
resta apenas uma aliança sem par,
uma cama com mais espaço,
um guarda roupa vazio,
e a terrível impressão de que falta "algo mais",
como aquele amputado que coça o membro que perdeu,
como a mãe que espera o filho no cais,
como olhar o quarto de quem já morreu...

Separados, mas com uma esperança: recomeçar!
Reconstruir é preciso,
é necessário estar sempre pronto,
e eu estou assim, inteiro, apesar dos pedaços,
aguardando uma porta, uma saída, um sorriso,
uma nova vida para recomeçar...

Paulo Roberto Gaefke