Deusa do olhar azul

Fui teu céu, manhã de sol
Flori teus dias de beijos
E tu floriste meu ventre
De brancas flores delicadas

Nas mais lindas madrugadas
Semeaste em minha fonte
Uma semente nascente
Um ser que nos prolongasse
Em versos pela eternidade

Flor de meu olhar, te via...
Tão azul, eu, tua rosa!
Porém, de espinhos cravaste
Esta boca que beijaste
Minh'alma dilaceraste

O olhar que idolatraste
Em rubro pranto tornaste
E hoje de mim só resta
A imagem desesperada
Que não mais afagas nunca

Pertenci-te tão inteira
Que de mim só restou esta
Vaga sombra em dor lavrada
Na esquadria de uma tela!

Maria Petronilho