Dissidente de um amor

O que dói não é brigar,
se desentender, se decepcionar,
o que dói é ter que se afastar.
O que dói é o seu nome
eu não poder mais pronunciar.
O que dói de verdade
é ter acreditado numa felicidade
que talvez nunca existiu
e num amor que do dia pra noite
sem motivo se esvaiu.
O que dói é ser abandonada
de uma forma tão inesperada,
sem um adeus, sem uma explicação,
sem nenhuma consideração.
Era pra ser na alegria e na tristeza,
disso eu tinha certeza,
na saúde e na doença,
era essa a minha crença.
Aí eu me pergunto aonde errei
porque eu juro, eu não sei.
Mas será que eu acreditei
em palavras que não poderia acreditar
ou simplesmente me entreguei
a quem não deveria me entregar?
Hoje no silêncio do meu quarto
sem querer eu me reparto
em duas mulheres diferentes,
uma que ainda ama loucamente
e outra que descobriu que desse amor
se tornou uma dissidente.

Silvana Duboc