Distância

Eu não queria te procurar, mesmo sabendo onde você anda; seu telefone continua sendo o nº 1 em meu diário, não consegui apagá-lo...
Seu nome está gravado na minha agenda e em mais um monte de cadernos, pastas e até no meu computador...
Seu cheiro está impregnado em uma camiseta minha, na fronha
do travesseiro; o tempo parece destilar e renovar esse perfume...
Apesar da distância, eu sinto sua presença, e luto para afastar as lembranças, e caio em choro convulsivo que começa com uma
lágrima que eu teimo em não deixar rolar.
Apesar da distância, eu insisto em cultivar algumas lembranças e
algumas vezes, pego meus dedos distraídos discando o seu telefone,
eles não se acostumaram com a saudade. Seu telefone eu posso riscar,
seu nome posso apagar, arrancar a página ou até jogar a agenda fora,
o seu perfume posso mascarar com outros cheiros,
mas a sua ausência, essa eu não consigo afastar...
A distância física é pequena, mas para a alma é muito grande,
além dos passos que posso dar... entre nós há uma barreira,
barreira essa que só você poderia tirar.
Mesmo assim, hoje acordei com uma estranha sensação:
senti que você se lembrou de mim...
Se assim foi, peço a esse anjo que corra para te avisar que essa
lembrança sou eu, esse amor sou eu e, com esse anjo, vai um recado:
Eu ainda te amo! Vem... vem logo, de volta para mim!


Paulo Roberto Gaefke