Dois em um

Essa saudade que de nós não tem pena,
que virou nosso desespero,
nosso maior problema
e que joga um tempero
nesse amor alucinante.

Essa saudade angustiante
que inunda cada instante,
que é cruel e estimulante,
que é perversa e importante.

Essa saudade que, apesar de tudo,
tem cor e luminosidade,
tem sua própria identidade.
Essa saudade que nos faz imaginar
tudo que nossa mente é capaz de inventar.

Essa saudade sem medida, sem tamanho,
banhada em sentimento e em sonho.
Somos pedaços que se juntaram
e nunca mais se separaram,
metades que se encontraram
e se completaram.

Somos dois inícios e dois fins
que acontecem juntos
por sermos almas afins.
Só sei onde você está
se consigo me encontrar
e só posso me achar
se descubro onde você foi parar.

Somos uma junção
de dois seres em um só coração
ou, talvez, sejamos um só ser
que abriga a mesma emoção.

O fato é que eu já não consigo encontrar
o ponto exato onde eu termino
e que você começa a despontar,
assim como não sei onde eu me inicio
e você me continua até nos encerrar.

Silvana Duboc