Dores

Dores que diminuem e se multiplicam,
que transbordam e complicam.
Dores que vão embora
e de repente, certa hora,
voltam a incomodar.
Dores que se distanciam
e mudam de lugar.
Dores que se fazem presentes
quando poderiam estar ausentes.
Dores ocultas e transparentes.
Dores incontáveis,
muitas vezes, inevitáveis,
assustadoras e intermináveis.
Dores que já foram enterradas
e acabam sendo ressuscitadas.
Dores sem nome, sem explicação,
sem nenhuma direção.
Dores que vêm e que vão
e massacram o coração.
Dores que já estão enraizadas
e que jamais serão extirpadas.
Tantas dores que não valem nada.

Silvana Duboc