Era uma vez...

uma palmeira solitária.
Dormia só,
brincava só,
ria só,
rezava só.
Um dia o vento descobriu
que poderia acariciá-la
e foi então que ele passou
a visitá-la todos os dias.
E a palmeira solitária começou então
a dormir com o vento,
brincar com o vento,
rir com o vento,
rezar com o vento.
Mas um dia o vento deixou de vir.
E todos julgaram que
a palmeira morreria de solidão.
Mas isso não aconteceu.
Durante o tempo que o vento esteve
ausente a palmeira solitária continuou:
dormindo com o vento,
brincando com o vento,
rindo com o vento,
rezando com o vento.
E foi então que se revelou que a solidão
só existe quando não mais existe
a esperança de começar outra vez...


Letícia Thompson