Eu queria... Ah! como queria!

Eu queria ter uma amada
Que se derretesse em dengos,
Mesmo quando estivesse exausta
E, ainda, com a vida sob tormentos,
nunca me abandonasse ao relento...
Eu queria ter a amada
Que me abraçasse ao acordar,
Que me beijasse ao deitar,
Que me fizesse flutuar quando o peito estufasse
E auxiliasse-me a descer, se assim eu precisasse,
Ou a subir, quando a queda me derrubasse.
Eu queria ter a amada que aceitasse
Meu estender de mãos para passear no parque,
Para sentar à mesa,
Que ajudasse os filhos na escola
E conversasse com eles longe da televisão...
Eu queria ter a amada para ir ao cinema,
Ver filmes, ler poemas, produzir temas,
Para sentar ao meu lado para fazer as contas,
Para decidir sobre as compras,
Para comer pipoca no cinema , para correr na praia
Eu queria ter minha amada que passasse
as mãos nos meus cabelos
E no resto de meus pêlos, com tal zelo,
Como o carinho das mulheres,
quando se olham no espelho...
Eu queria ter a amada que fosse
única e rara em sua grandeza,
que tivesse destreza na lida diária,
nas escolhas, nos critérios, nos preceitos
E que aceitasse molhar-se em dia de chuva...
Eu queria ter a amada
Que fosse mulher e moleca,
Alegre e triste, solidária e decidida,
Que conhecesse os segredos
Que aqui dentro guardo,
Que aceitasse o homem e o menino
Que aqui dentro trago...
Eu queria ter a amada
Que não fosse uma rainha !
Ela não precisa ser gorda ou magra,
feia ou bonita, alta ou baixa, não ligo!
Deixo isso para decisão de seu próprio umbigo...
Quero apenas que minha amada toque
A imensidão tamanha do meu ser,
Que cure a solidão triste que, em mim, persiste
E que nunca vai embora,
Mas é imprescindível
Que traga a alegria que eu tinha outrora...