Fakes

Fake é algo falso, fantasioso, em que o indivíduo usurpa
a identidade de outrem ou cria uma identidade falsa,
fazendo-se passar por quem não é verdadeiramente.
Geralmente Fakes são encontrados no mundo virtual.


Quem são os fakes? Como identificá-los?
Inútil tentar identificar um deles, porém sei de algumas das suas características principais: são atenciosos, amáveis, mestres em encantar, cativar e depois desaparecer.
Internet, terra de ninguém, tanto que para ela não existem leis.
Terra desconhecida, facilmente penetrável, porém, indecifrável.
Não pretendo analisar esses "personagens" mas, sinceramente, adoraria entendê-los.
Apenas sei que eles possuem diferenças entre si; alguns são do
bem, outros do mal, mas acho que no final das contas ambos
levam até às pessoas com quem se relacionam, algo de ruim:
a decepção, quando chegam a ser descobertos ou quando,
por um passe de mágica, somem.
"Eu dediquei minha amizade a você que não era quem dizia ser?
Eu me apaixonei por alguém que nunca existiu?
Dirão muitos fakes:
Mas eu existo, eu fui seu amigo, eu fui sincero, eu também me apaixonei por você, ou, eu não me apaixonei por você e jamais
lhe dei ilusões quanto a isso. Eu apenas não divulguei minha identidade verdadeira. Terei cometido algum erro?"
Pois eu acredito que sim.
Em primeiro lugar os fakes, normalmente, passam uma imagem distorcida da sua realidade. Tímidos tornam-se desenvoltos, tristes mostram-se alegres, conservadores deixam passar a imagem
de liberais e vice-versa e por aí vai...
Nunca revelam nada de suas vidas. Não que sejam obrigados a isso, eu até sou a favor que na internet se faz necessária uma certa preservação de nossas vidas, mas um contato verdadeiro deveria
levar aos poucos ao caminho da via dupla, mas que pelas circunstâncias, acaba sendo da via única.
Enquanto o fake armazena dados da vida pessoal de seus
"amigos", esconde-se atrás de si mesmo
e mantém o silêncio absoluto ou conta inverdades.
Amizade, carinho, amor, afeto, companheirismo são sentimentos que, obrigatoriamente, têm de ser calcados na honestidade, na confiança mútua e como sabemos a confiança é como cristal, se trinca, perde a sua beleza, se quebra, não tem conserto.
Com o tempo os fakes que frequentam o mundo virtual vão se aproximando cada vez mais de pessoas virtuais/reais.
Essas pessoas reais cultivam diversas espécies de bons sentimentos em relação a eles por serem solitárias e precisarem de companhia. Algumas, por serem desequilibradas, se envolvem de forma doentia com esses seres que não são reais e que nunca poderão dar a elas o retorno que elas desejam e aí eles, muitas vezes, desaparecem para fugir daquilo que acaba se tornando um problema.
É tão simples deletar um Orkut, um MSN, um Skype,
um endereço de e-mail, um personagem.
Difícil é deletar do coração alguém que entrou dentro dele
seja pela porta da amizade ou pela porta do amor.
Acontece que quando um fake deleta seu perfil, por ter cansado da brincadeira, por alguma necessidade ou por motivos diversos, não se preocupa que está deixando para trás pessoas que se afeiçoaram a ele, que vão sentir sua falta e preocupadas vão se perguntar por longo tempo: o que terá acontecido com ele?
Não sei como essas pessoas "falsas" se sentem a respeito de tudo isso, não sei se essa situação dá algum tipo de satisfação à elas,
não sei se na verdade sofrem por "precisarem" enfrentar
o mundo virtual dessa maneira.
Não sei exatamente o que as leva a isso, se é medo de se expor, de ser quem é, de não ser aceito como é, de necessitar ser o que não é.
É como se nas entrelinhas de sua história viesse escrito:
eu preciso de amigos dos quais não serei amigo, eu preciso de amores que não serão amados por mim, eu preciso de uma vida que eu nunca viverei, eu preciso ser o que não tenho como ser.
A verdade é que, dentro ou fora da internet, ninguém admite ser enganado, nem mesmo os maiores enganadores.
Se você não quer ou acha que não pode ser quem é desista do mundo virtual para não se prejudicar e não prejudicar ninguém.
O que pode ser uma diversão para você, para outros pode
se tornar uma dependência e vice-versa.

Silvana Duboc