Falando de paz

Estava com a escritora venezuelana Dulce Rojas, tomando um café em Buenos Aires e discutíamos sobre a idéia da paz, que tem andado muito distante do coração humano. Dulce me contou a seguinte história:
Um rei ofereceu um grande prêmio para o artista que melhor pudesse retratar a idéia da paz. Muitos pintores enviaram seus trabalhos ao palácio, mostrando bosques ao entardecer, rios tranquilos, crianças correndo na areia, arco-íris no céu, gotas de orvalho em pétala de rosa.
O rei examinou todo o material que lhe foi enviado, mas terminou selecionando apenas dois trabalhos.
O primeiro mostrava um lago tranquilo, espelho perfeito das montanhas poderosas e do céu azul que o rodeava. Aqui e ali se podiam ver pequenas nuvens brancas, e, para quem reparasse bem, no canto esquerdo do lago existia uma pequena casa, a janela aberta, a fumaça saindo da chaminé – o que era sinal de um jantar frugal, mas apetitoso.
O segundo quadro também mostrava montanhas. Mas estas eram escabrosas, os picos afiados e escarpados. Sobre as montanhas o céu estava implacavelmente escuro, e das nuvens carregadas saíam raios, granizo e chuva torrencial. A pintura estava em total desarmonia com os outros quadros enviados para o concurso. Entretanto, quando se observava
o quadro cuidadosamente, notava-se numa fenda da rocha inóspita,
um ninho de pássaro. Ali, no meio do violento rugir da tempestade, estava sentada calmamente uma andorinha.
Ao reunir sua corte, o rei elegeu esta segunda pintura como a que
melhor expressava a idéia da perfeita paz. E explicou:
- Paz não é aquilo que encontramos em um lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho duro, mas o que permite manter a calma em
nosso coração, mesmo no meio das situações mais adversas.
Este é o seu verdadeiro e único significado.