Flores, palavras, caminhos

Das flores que eu te dei
os espinhos eu arranquei.
Palavras amargas que falei
antes eu adocei,
os caminhos pelos quais te guiei,
com capricho, eu limpei.
Achei que fiz tudo direitinho
com amor e com carinho.
Achei que quase atingi a perfeição,
no entanto não passou de mera ilusão.
Fiz tudo errado
e só agora vejo o resultado.
Devo ter sido o espinho,
na tua boca, o gosto amargo,
a sujeira no teu caminho.
Devo ter sido uma invasão na tua vida
que te deixou uma profunda marca
e uma imensa ferida.
Devo ter sido o apagar da tua luz
e o peso da tua cruz.
Mas as flores, as palavras, os caminhos
que juntos dividimos,
por mim, não serão esquecidos.
Por conta deles durante muito tempo,
com certeza, eu ainda viverei,
quanto a ti eu nunca saberei.

Silvana Duboc