Folhas ao vento

As folhas que o vento leva
quando, às vezes, rodopiam,
lembram-me aquelas saudades
que doem mas aliviam.

Se o vento as minhas tivesse
em constante rodopio,
eu podia intercalá-las
com a tristeza, o vazio.

Cada folha com seu nome,
seu destino, sua cruz.
E muitas seriam versos;
todos os que já compus.

Seriam folhas às cores
quando levadas pelo vento;
transformadas em amores,
em lugar de sofrimento.

Todos podiam ter uma,
todos podiam pegar,
ficar com ela na mão,
amar em vez de odiar.


Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958