Fui!

Eu insisto e me pergunto
se foi utopia ou realidade,
se foi uma grave mentira
ou uma frágil verdade,
se foi uma ilusão
ou uma fútil vaidade.
Eu tento entender
como tudo pôde ser
tão simples e radical,
tão intenso e superficial.
Em seguida eu me lembro
que nunca passou do virtual
e nesse mundo de mentira
a ignorância e a ira
surgem facilmente.
Aqui vivem inconsequentes
que invadem corações e mentes,
que não são transparentes.
Aqui, um dia, a porta está aberta
e no outro está trancada
e não há uma passagem secreta
ou uma fresta liberada
para que se possa entrar
e qualquer coisa falar.
Esse mundo certamente não é meu,
não tem espaço na minha vida,
de nada valeu essa investida.
Portanto... fui... banhada em mágoas,
mas de cabeça erguida.

Silvana Duboc