Hoje

Hoje sou silêncio,
sou metade,
sou sombra,
sou incapacidade.
Hoje sou liberdade
dentro da minha própria prisão,
sou a dona da arma
que vai atingir meu coração.
Hoje amputei fantasias,
esquartejei alegrias,
criei agonias.
Hoje eu não sou eu,
meu reflexo está diferente,
minha voz intermitente,
meu corpo indiferente.
Hoje, no chão, eu vi espalhadas
as minhas melhores palavras
e não pude juntá-las,
sequer emendá-las
para em poesia transformá-las.

Silvana Duboc