Mães e filhos

Me inspirei num certo olhar
para poder falar
de certas mães sofredoras.
Me inspirei em certos filhos
que as colocaram de lado
por coisas tão tolas.
Me inspirei em fatos reais,
em acontecimentos naturais.
Mães e filhos se desentendem,
se julgam e não se compreendem.
Mães e filhos se ferem
e na vida um do outro interferem.
Tudo isso é normal,
faz parte da convivência
e, pra isso, é preciso que haja paciência.
Não julgue sua mãe
pelas coisas erradas que ela fez,
pois você também já errou
e ela entendeu e perdoou.
Mãe é ser humano, portanto, passível de errar
e, também, tem direito a magoar,
afinal mil vezes já foi magoada.
Mãe nunca é de todo errada.
Quando comete seus deslizes
sofre e fica amargurada.
Se existe dentro de você a terrível intenção
de não procurá-la no dia das mães
converse com seu coração.
Ele há de amolecer
e, com certeza, vai perceber
que a maior tristeza que uma mãe pode ter
é ser ignorada num dia tão especial,
é ser esquecida pelo personagem principal
da história de amor que ela criou.
Pense, também, que essa pessoa na qual você se tornou
só existe por que, pra isso, ela colaborou.
Que tenha sido muito ou pouco,
que tenha sido às vezes ou toda hora.
O que importa é que vocês têm uma história.
Não deixe ela acabar
de forma que você não consiga, pra ela, retornar.
Novos capítulos precisam ser escritos, ainda há tempo
e eu tenho certeza que é esse o momento.
As mais e menos capacitadas mães do mundo
bem lá no fundo
são feitas do mesmo material
e ele é especial.

Silvana Duboc