Marcas

Não é que cada marca desapareça,
não é que eu as esqueça,
não é que elas possam se diluir,
nem que possam partir.

É que eu faço de conta que elas sumiram,
que desapareceram ou fugiram.
É que eu finjo que elas foram enterradas,
que já não significam mais nada,
que tomaram outro rumo, outra estrada.

Não é que cada marca deixe de ficar marcada,
é que eu faço parecer que elas foram eliminadas,
assim os dias vão passando,
a vida, cada vez mais, avançando
e o coração deixa de sangrar,
mas as marcas nem o tempo é capaz de apagar.

Não é que marcas precisem ser curadas,
afinal elas não são feridas que possam ser tratadas.
Marcas nada mais são do que provas irrefutáveis
que um dia meu peito foi machucado
por crueldades insuportáveis
e por isso agora está marcado.

Silvana Duboc