Mestres e discípulos

O mestre não sofre com os maus discípulos?

Um discípulo perguntou a Firoz: - A simples presença de um mestre faz com que todo tipo de curioso se aproxime, para descobrir algo do que se possam beneficiar. Isto não pode ser prejudicial e negativo? Isto não pode desviar o mestre do seu caminho ou fazer com que sofra porque não conseguiu ensinar o que queria?
Firoz, o mestre sufi, respondeu: - A visão de um abacateiro carregado de frutas desperta o apetite de todos que passam por perto.
Se alguém deseja saciar sua fome além da sua capacidade, termina comendo mais abacates do que o necessário, e passa mal. Entretanto, isto não causa nenhum tipo de indigestão ao dono do abacateiro.
“O mesmo se passa com a Busca. O caminho precisa estar aberto para todos; mas Deus se encarrega de colocar os limites de cada um”.

Além dos próprios limites

Um arqueiro caminhava pelas redondezas de um mosteiro hindu conhecido por sua dureza nos ensinamentos, quando viu os monges no jardim - bebendo e se divertindo.
“Como são cínicos aqueles que buscam o caminho de Deus”, disse o arqueiro em voz alta.
“Dizem que a disciplina é importante, e se embriagam às escondidas!”
“Se você disparar cem flechas seguidas, o que acontecerá com o seu arco?”, perguntou o mais velho dos monges.
“Meu arco se quebrará”, respondeu o arqueiro.
“Se alguém se esforça além dos próprios limites, também quebra sua vontade”, disse o monge. “Quem não equilibra trabalho com descanso, perde o entusiasmo, esgota sua energia, e não chega muito longe”.

Ainda está faltando algo

O mestre yogue Paltrul Rinpoché ouviu falar de um ermitão com fama de santo, que morava na montanha. E foi encontrá-lo.
- De onde vem você? - perguntou o ermitão.
- Venho de onde minhas costas apontam, e vou para onde está voltado meu rosto - respondeu Rinpoché. – Um sábio deveria saber disso.
- É uma resposta tola e metida a filosófica – resmungou o ermitão.
- E o senhor, o que faz?
- Medito há vinte anos sobre a perfeição da paciência. Estou perto de ser considerado santo.
- As pessoas já o consideram assim - comentou Rinpoché. Você conseguiu enganar todo mundo!
Furioso, o ermitão levantou-se:
- Como ousa perturbar um homem que busca a santidade? – gritou.
- Ainda falta muito para chegar a isso – disse o yogue. – Se uma simples brincadeira o faz perder a paciência que tanto busca, estes vinte anos foram uma completa perda de tempo!