Não grita que eu tô calma!

Eu sei que errei nos excessos. Não sei amar sem transbordar, não sei amar diet, não me contento com rúcula, só sei amar feijoada, só sei ser assim, amor de entrega sem trégua. Não sei amar quietinha, sou mulher
de gritos, apitos e outras milongas mais. Confesso meus excessos, nunca economizei na pasta de dente, entulho a escova e ainda esqueço de colocar a tampa, gasto muito shampoo, adoro espuma, hidrata os pêlos. Ela tem algo mais que demais, os espumantes em geral hidratam tudo, até a alma! Nunca soube o que é prudência, jamais fiz economia, adoro coletivos, alcatéia de tesão, cardume de declaração, grosa de beijo, manada de safadeza. Acho que tenho dezenas de corações quando estou apaixonada. Não fico em uma cerveja, já que é pra beber, que venham engradados lotados de suor do meu homem. Gasto todo o meu salário amoroso em cada emoção, depois fico a pão e água, mas na boca fica o gosto gostoso do banquete.
Sim, confesso mil vezes que errei nos excessos, até porque não sabia da tua maldita dieta, desconhecia por completo esta tua preocupação com a estética, a neurose obsessiva com o que os outros vão falar, principalmente se eles sacarem tua obesidade de felicidade, esta tua barriguinha criada nos orgasmos que te dei.
Pronto! Erro confesso e dou-me por vencida. Vencedora fica a tua súbita astenia de prazer! Minguamos os dois de jejum, e se bobear viramos nenhum.
Pena que não vistes que o amor é conta de dois, soma de qualidades e defeitos, que o resto só existe na divisão, e o nosso resto ou diferença foi sempre a escória que não viveu a nossa história, aliás não tem, vive sempre a de alguém.
Esqueça-me, pois eu já te esqueci!
Ficas com o resto e avisas ao mundo que eu não presto, afinal é pra ele que deves obediência.
Viva a tua salvação! Aleluia irmão!

Rosa Pena