Necessidade de amar

Em tudo é necessário haver amor: em cada gesto nosso,
em cada caminhar; amar é o grande alívio para a
grande dor e para o fim do desamor em tudo amar...
Amar o sol que chega e a chuva que nos trai, mar infindo, a flor se abrindo e o irmão que vem com mãos pedintes, e uma lágrima que
cai, pedindo um troco em face ao tudo que não tem...
A paz de um rosto estranho, o chão que ele pisou, amar
seu bem-estar e o pão que o satisfaz, amar até o topo
alto a que chegou, amando o muito de que ainda é capaz.
Amar o que se espera, amar o que tem fim, o beijo
de chegada e o de despedida;
Amar o triste "não", o inesquecível "sim"...
E amar demais a cada instante dessa vida.
O amigo ausente, amar o amargo da distância...
E o largo esforço em nossa estrada de aprendiz,
Tornar, em cada um que abrace a ignorância,
o fardo leve, para vê-lo sempre mais feliz.
Amar o dom de perdoar, sondar o medo,
as nossas falhas transformar em bens reais;
Amar o belo do mais íntimo segredo e,
mesmo em plena luta, honrar nossos rivais.
E o que nos fere, ofende ou deixa assim sozinhos,
olhar com olhos de quem julga sem rancor,
Ousar sonhar que encontre cedo seus caminhos,
nos altos céus de onde nos guia o Salvador.
Amar o feio, o fraco e o frágil sentimento,
em cada vento avesso que nos faz cair.
Amar cada segundo e o mundo num momento
e a queda que nos leva sempre a persistir.
Amar com tal fervor e tão profundamente, até que o amor que não
nos queriam entregar, esteja todo em nós de forma permanente e, então, tenhamos só que amar e mais amar...
E, quando a morte a nossa vida arrebatar, não terá sido em vão o empenho abrasador, pois Deus nos dá, de sobra, a luz do verbo AMAR em cada novo despertar, de tanto amor.