Nem tudo pode ser

Uma antiga lenda me fez ver que nem tudo pode ser,
não no exato momento que queremos,
talvez nem mesmo na atual vida que vivemos.

Eram duas almas que
constantemente se esbarravam,
por períodos curtos se aproximavam
mas sempre as coisas se complicavam
e inexplicavelmente elas se afastavam.
Seus rumos eram diferenciados
e com isso seus corações eram massacrados.
Eram duas almas inundadas pela solidão,
embora, sempre acompanhadas pela ilusão.
Mas a ilusão não é dona de nenhum destino,
ela não é composta de flores e sim de espinhos.
Quanto mais elas se iludiam mais se feriam.
Com isso passaram a viver distantes da realidade,
escravas de um sonho e de uma saudade,
à mercê de uma imensa temeridade.
Têm almas que por uma razão
que não se pode entender
juntas nunca poderão viver.
Existem pessoas que se conhecem
e uma da outra nunca se esquecem,
mas um muro invisível
impede todos os tipos de aproximações,
tanto de seus corpos quanto de seus corações.
Eram duas almas que vagavam perdidas,
inconformadas com suas vidas,
tentando de toda forma reverter
o que estava escrito que não podia ser.

Silvana Duboc