O jogo

Enquanto você brincou de mentir
eu brinquei com as verdades,
enquanto você pensou me iludir
eu fui analisando a sua insanidade.
Fomos jogadores que apostaram
valores bem diferentes,
fomos seres que criaram
um jogo inexistente.
Você investiu na minha doçura
e eu na sua loucura.
O que você não sabia
é que na minha manga existia
uma carta escondida
e era a carta da vida,
da vivência, da sensibilidade.
Fui deixando que você imaginasse
que o jogo você já havia vencido,
fui tolerando que você se gabasse
muito além do permitido.
Precisei muitas vezes blefar
e outras me calar
para que o jogo pudesse continuar
e a carta na manga guardada
esperava pra ser retirada
na hora mais indicada.
Eu sabia que quando você a visse
o jogo iria terminar
pois você já havia me provado
que não seria capaz de suportar
ser, facilmente, derrotado
quando já tinha a certeza que ia ganhar.
O fato de você ter perdido
não foi tão importante
o que foi decisivo e determinante
foi você não ter sido
um jogador brilhante.
Por fim retirou-se da mesa
como um cachorro sem dono
e pra sua grande tristeza
perdeu o seu trono.
Você não foi homem o bastante
para se dar por vencido
de uma forma elegante,
fugiu como se fosse um bandido,
um desprezível meliante.
Deixou sua dívida pendurada,
mas eu prometo que ela não será cobrada,
sei que você não aprendeu a lidar
com a palavra empenhada.

Silvana Duboc