O único jeito é esperar

Morreu dentro de mim a poesia
e eu insisto em tentar ressuscitá-la todo dia.
Mas me foi arrancada a inspiração,
essa é uma constatação.
As palavras não conseguem mais se encaixar,
em outro lugar foram morar,
as rimas desapareceram,
as emoções se perderam.
Agora resta um vácuo que não sei mais preencher,
um espaço que aos poucos vai fenecer.
Fui poeta enquanto me permitiram ser,
num tempo que o coração palpitava
e a alma se embalava
tanto com a alegria quanto com a dor,
até que veio a morte do amor.
É a ausência dele que me fez calar,
é a saudade dele que não permite eu me inspirar.
Descansa em paz amor
e eu fico aqui com essa dor
de não conseguir mais poetar.
Agora eu sei que não ocupamos mais o mesmo lugar,
mas sei, também, que um dia vamos ocupar.
O único jeito é esperar.

Silvana Duboc