Onde está a minha amada?

O teu desamor é cru
Mas afinal quem és tu
Que vestida de cetim
Já não olhas para mim
Como dantes o fazias?
Nem sorris como sorrias
Nem gracejas como dantes
Naquele jogo de amantes
Que tanto prazer nos dava?
E os corpos perfumava
Com essências de prazer
Deixando a alma a arder,
Com mil centelhas de lume?
Onde está o tal ciúme
Que queimava o coração
E nos subia a tensão
Em orgasmos de loucura?
Onde pára essa ternura
Os beijos na tua boca
Que te deixavam tão louca
Com a calcinha molhada?
Onde está a minha amada,
Que por mim se desnudava
E ao céu me transportava
Aninhado no seu peito?
Como gostava do jeito
Dos teus dedos percorrendo
O meu corpo que tremendo
Se julgava todo teu!
Mas não mais subi ao céu
Outro vento já soprou
E do teu peito levou
A paixão que era só minha!
Não mais haverá calcinha
Perfumada com amor
Nem palavras com sabor
Ao teu mel de rosmaninho
Porque o poeta aprendeu
Que para chegar ao céu
Terá que subir sozinho!

Fernando dos Santos